domingo, 26 de novembro de 2006


Uma imagem. Impronunciáveis palavras.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Danem-se quaisquer palavras belas agora
Pois essa poesia
De miragens
É poesia dum sentimento tão pouco azul
De um tigre verde a vagar
Sob as águas invisíveis dos oceanos
Rasgando ondas
Rachando ar

A vontade era ver
De longe
Aquilo que só transita além das expressões
De lentes que pouco respiram
Que pouco aliviam a visão
De olhos que
Como se falseassem a arte das borboletas
Desistissem das vivas cores
Das molduras disformes
Das inteligências angélicas
Que preenchem uma divindade meio silenciosa
Do espírito tranqüilo de um homem

Homem
De passos humanos
Curvando a tez de sua vida
Às tardes solitárias de sóis em sombras


E miro a areia
E o mar não está lá
E miro o céu
E as nuvens não estão a sonhar

E miro a minha auto-imagem
Em nenhum lugar cravada
Como se fosse um escudo de grãos
Desfazendo-se
Dentro de um cálice cheio de ar
Pura miragem...

A Era da Imaginação

"I see nobody on the road", said Alice.
"I only wish I had such eyes," the King remarked, in a fretful tone. "To be able do see Nobody! And at that distance, too!"
O mito das formas está cada vez mais incutido no nossos pensamentos mais comuns. Não nos damos conta de que, além de uma tradução binária de 1's e 0's, as formas só nos comovem pelo que há além dela. A maestria da nossa mente em identificar, integrar e, sobretudo, imaginar "algos".

terça-feira, 21 de novembro de 2006

De um meio ébrio meio apaixonado.

"Eu quero ser
E já não mais ser..."

"Eu sou os olhos daquela parte que em mim é meio cega..."

Mais um dia

Uma manhã. Uma boca abrindo. Dois olhos ardendo à luz do sol. Dois braços e duas pernas despreguiçando. A mais nova rotina de sempre. Uma manhã, apenas mais um dia. O óbvio, para muitos.

Outra manhã. Uma boca calada. Dois olhos brilhando à luz do sol. Dois braços e duas pernas levantando um corpo-alma. A mais nova rotina de nunca. Uma manhã, um dia não mais como outro qualquer. O desafio, para poucos.
Se isso é tão óbvio, pelo menos não parece ser tão óbvio assim. Recorrer ao óbvio sem conhecê-lo é julgar o simples como sendo aquilo que perfaz quase todos os defeitos de um homem comum. Julgar-se simples sem o ser talvez seja a pior das auto-injúrias que o homem acumula nos seus medos, em cada dia que segue a sua nova vida de sempre.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

O sono da vida.

Alguns números denunciam: aos sessenta anos, se vivo, um homem terá dormido mais ou menos a metade de sua vida. Dentro da outra metade, aquela em que não se dorme, talvez haja outra metade: a do dormir com os olhos abertos. Resta ao homem viver a sua meta-metade. E o Dalai-Lama, em algum momento de seu nada tudo, disse: "Existem homens que morrem sem nunca ter vivido, e há aqueles que vivem como se nunca fossem morrer." Viver vivendo não é uma ilusão. Talvez seja a mais real das aparências que ainda insistem em enganar o homem.

...

Poucas palavras. Muitos espaços vazios. Um ensaio de Ninguém. Ser uns entre alguéns (?):

Alguéns quase todos uns
Outros tantos uns quase todos alguéns
E de uns quase alguéns
Alguns são alguns
Como se uns não os fossem
Nenhuns.
E quando alguéns se passam por uns
Ah, os uns de uns que são quase sempre alguns
São mais alguéns do que aqueles alguéns que nem quase uns são
Ninguéns.