terça-feira, 21 de novembro de 2006

Mais um dia

Uma manhã. Uma boca abrindo. Dois olhos ardendo à luz do sol. Dois braços e duas pernas despreguiçando. A mais nova rotina de sempre. Uma manhã, apenas mais um dia. O óbvio, para muitos.

Outra manhã. Uma boca calada. Dois olhos brilhando à luz do sol. Dois braços e duas pernas levantando um corpo-alma. A mais nova rotina de nunca. Uma manhã, um dia não mais como outro qualquer. O desafio, para poucos.
Se isso é tão óbvio, pelo menos não parece ser tão óbvio assim. Recorrer ao óbvio sem conhecê-lo é julgar o simples como sendo aquilo que perfaz quase todos os defeitos de um homem comum. Julgar-se simples sem o ser talvez seja a pior das auto-injúrias que o homem acumula nos seus medos, em cada dia que segue a sua nova vida de sempre.

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